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Lactiangol: Proteger e solidificar a produção nacional
Empresa de lacticínios, com uma indústria pioneira defensora da produção nacional, a Lactiangol tem no Estado angolano e a Agro Promotora, empresa portuguesa vencedora do concurso internacional para privatização, aberto em 1990/91, no quadro do então programa de redimensionamento empresarial do governo angolano, os seus maiores accionistas. Foram também convidados a participar no seu capital, os trabalhadores e uma quota de investidores privados nacionais. Actualmente, o quadro regista algumas alterações, com o aumento de capital subscrito pelo maior investidor, a Agro Promotora. Embora o processo esteja a espera de oficialização, é ponto assente que as acções detidas pelo Estado, o segundo maior subscritor, não passarão dos 35 por cento, contra os anteriores 40. É a dinâmica empresarial!
Actualmente, o binómio produção/comercialização andam de mãos dadas no interior da Lactiangol, situada lá pelos lados da FILDA, passe a publicidade. Na sua vertente produtiva, a Lactiangol fabrica, entre outros, os iogurtes sólido e líquido, assim como realiza o processamento de manteiga, importada em unidades industriais. É na Lactiangol onde essa manteiga é submetida em linha de empacotamento de 250 gramas.
Igualmente possui uma linha de enchimento de gelados, produzidos com base do leite e os diversos aromas tratados, produtos lácteos em vigor na fábrica. Recentemente, a empresa arrancou uma linha de enchimento de leite em pó, a grande novidade.
Constam ainda da gama dos produtos feitos na fábrica, refrigerantes sumos, tais como a laranja vitaminada e o maracujá, mas em perspectiva está a fabricação de outros sabores, visando, sobretudo, o desenvolvimento cada vez mais da sua linha de distribuição.
Todos estes produtos referidos, assim como o queijo, os leites especiais e as sobremesas lácteas, são importados, mas, como a empresa faz referência, estes «vêm com marca “Lactiangol”».
Segundo esclareceu à nossa reportagem uma fonte da direcção comercial da empresa, nos leites especiais, existem o “matutino”, um leite especial comprado do exterior e vendido com a marca da empresa, assim como o queijo em barra, vendido para lanchonetes, restaurantes, grandes superfícies e singulares, tais como em todos os produtos, de toda a província de Luanda, Bengo, Kwanza-Sul e Benguela.
A fonte avançou que “sempre que houver solicitação”, a empresa vê-se obrigada a atender outras províncias. O não alargamento do mercado às restantes províncias do país tem a ver com as dificuldades de comunicação rodoviária, pois, como disse, “as estradas estão péssimas”.
Constam ainda do leque dos produtos da Lactiangol, o “Camba” e a “merenda escolar”. O camba é um leite com chocolate feito na empresa para distribuição escolar. Além de ser um leite com chocolate com a especificidade de não ser equivalente a outros produtos comerciais, tem também a mesma composição dos produtos distribuídos na Europa e em países possuidores de merendas escolares.
A Lactiangol já distribuiu, além da capital do país, mais 85 mil merendas escolares a Cabinda, “um projecto que a Lactiangol gostaria que continuasse, porque vai ao encontro de duas situações: produção, a venda e a satisfação social.
Empecilhos
De dificuldades não são apenas as de acesso ao interior do país. Outro dos verdadeiros “bico-de-obra” da Lactiangol, prende-se com o deficiente fornecimento de energia eléctrica e de água, aos quais se juntam as elevadas cargas fiscais sobre os produtos importados para a indústria, “sem nunca serem levadas em conta que são para a indústria, e como tal geradores de emprego», disse a fonte, que criticou que as mesmas cargas fiscais são suaves para os outros.
Sobre o fisco aduaneiro, defende que as indústrias nacionais só poderão se desenvolver e gerar empregos se forem verificadas as cargas fiscais que recaem sobre os produtos que poderão a vir transformados.
Segundo ele, esse produto que é transformado localmente e dá empregos localmente, e, por isso, não deverá ou deveria ter uma carga fiscal idêntica ao que é aplicado ao produto para comércio. Este ponto de vista encontra consenso de toda a classe empresarial angolana defensora da produção nacional.
Em termos de abastecimento de energia eléctrica e de água, embora a empresa tenha infra-estruturas para tratamento e utilização de água para fins industriais, a Lactiangol não tem muitas alternativas, situação que se agrava na ocorrência de cortes simultâneos de energia eléctrica e de água.
«A busca de água é feita em camiões cisternas, e as estradas não são as melhores. Quando falta água para alguém, falta para muita gente. Logo, isto torna-se um problema. Daí não precisarmos só de um tanque de 500 litros de água, mas sim de muitos milhares de metros cúbicos de água por dia, porque as instalações requerem muita água para tratamento e lavagem consecutivas e necessárias de todo o processo industrial.
Agora perguntamos: se apenas importar é mais fácil, e atendendo as inúmeras dificuldades por que dizem viver, o que induz então a Lactiangol a prosseguir com esse projecto, produzindo localmente? Porque não viver só das importações? E a resposta foi assim: «localmente, estamos em vantagens relativamente aos outros, porque no dia em tivermos as mesmas possibilidades que os outros têm, estes produtos tornam-se concorrentes e, como tal, podem gerar empregos e desenvolver localmente a própria industria».
E não se admire que a Lactiangol seja hoje tida com um bom exemplo daquilo que se pode produzir localmente. Mas a este elogio, a empresa, laconicamente, pede que “face às dificuldades, não nos dificultem mais a vida”, numa indirecta àquilo que reitera serem elevadas as cargas fiscais e às falhas constantes nos abastecimentos de água e energia eléctrica.
E será que a produção da Lactiangol já satisfaz a totalidade do mercado nacional? Obviamente não, embora possua potencialidade para tal. Contudo, enfatiza ser infelizmente ainda mais fácil importar do que produzir em Angola, pois “questões de electricidade, de água, as infra-estruturas, por vezes, não são as mais indicadas para se fazer indústria”, volta a reafirmar.
Ainda assim, a empresa comercializa alguns produtos do exterior. A explicação que a empresa dá é a seguinte: «por exemplo, no caso do iogurte, Angola já adoptou convénios internacionais e normas internacionalmente aceites para a definição de alguns produtos. O iogurte é um deles.
Existem empresas que vendem produtos em Angola, como iogurte, quando se trata de sobremesas lácteas. Não são iogurtes. Estes (iogurtes) caracterizam-se por trabalhar o fermento e têm uma duração de três a quatro semanas de vida útil. Não temos ainda capacidade produtiva para respondermos à procura de todo o mercado. Como tal, temos que importar - outras empresas o farão também - para podermos responder as pretensões do mercado nacional».
O amanhã
O último produto lançado pela Lactiangol foi o leite em pó. Outros produtos mais estão em vista. Em termos de produção nacional, a Lactiangol poderá vir a lançar uma maior gama de produtos. Nos iogurtes, por exemplo, constam também a fabricação de outros tipos de iogurtes, não só os de aroma, mas também os com frutas ou produtos mais desenvolvidos.
Visto que existem já no país alguns outros projectos em desenvolvimento, a Lactiangol poderá trabalhar, em conjunto com estas, no tratamento do leite em natureza.
Tendo como meta, o desenvolvimento da fábrica para outras áreas e, eventualmente, para outros locais do país, este e outros planos visam unicamente “o desenvolvimento a actividade e também possibilitar a colocação no mercado os produtos Lactiangol, a bom preço, em todo o país. Uma vez mais, adverte que “isto requererá melhoria de estradas”.
Ainda consta do futuro a eventual internacionalização, uma possibilidade e não muito longo prazo, face as boas perspectivas de desenvolvimento tendente no país. Por enquanto, a empresa está ainda preocupada e descontente com a distribuição interna, por razões já focadas nesta peça.
Mar 27 Fonte: Angola Acontece
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