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Restauração da estrada encurta distância entre Namibe e Lucira

O trânsito rodoviário na via Namibe/Bentiaba/Lucira vai conhecer, em breve, significativas melhorias com a reparação da estrada pela empresa de terraplanagem SEOP (Sociedade de Empreendimentos e Obras Públicas), com parceria chinesa, numa operação que vai custar ao Governo 79 milhões de dólares norte-americanos.

Os trabalhos consistem na eliminação de todos os buracos na via e começaram em Junho último, segundo garantias do director provincial das Obras Públicas, arquitecto Carlos Sá, que assegurou ter o Governo angolano pago já 25 por cento desse valor. No total são 210 quilómetros de rodovia, entre o Namibe e a Lucira, na zona fronteiriça com a província de Benguela, passando pela comuna do Bentiaba, onde a estrada está acentuadamente danificada. A SEOP fez deslocar para a referida via parte considerável dos seus meios, o que, no entender do Governo, diz bem da seriedade com que o contrato foi negociado e a importância que as autoridades do Namibe atribuem à circulação de pessoas e bens na região, nesta fase de reconstrução e desenvolvimento do país.

“Os trabalhos começaram no Km 107, a partir do desvio Namibe/Bentiaba e já se fez a reciclagem de mais de 15 quilómetros de base, estando-se a concluir neste momento o levantamento do troço Bentiaba/Lucira. Também já se está a fazer a limpeza de bermas do Kuroca para frente, em direcção ao Tômbwa”, esclarece o arquitecto Carlos Sá. As obras do troço Namibe/Lucira, com duração de um ano, tiveram um relativo atraso após a respectiva consignação, o que obrigou a sua reprogramação, em função da rescisão do contrato que antes havia sido assinado com a empresa Tota Tâmega de Angola.

Não obstante este percalço, o desejo de se concluir a obra nos prazos concebidos salta aos olhos de quem ruma pela via. Encontram-se dezenas de jovens angolanos, entre motoristas, mestres de máquinas e técnicos, dotados dos meios indispensáveis, com assessoria de técnicos chineses. Todos eles asseguram a empreitada, trabalhando a todo o vapor.

O director provincial das Obras Públicas do Namibe sublinha como uma das grandes vantagens da reabilitação desta via, a possibilidade que os automobilistas terão de encurtar a distância para poucas horas, sem dar a volta ao Lubango, o caminho mais próximo a que, frequentemente, os homens do volante recorrem para chegar cedo à Lucira, num percurso caracoleante.

“Quem foi capaz das maiores privações para alcançar as sete ou mais horas de viagem até Lucira, agora será capaz de muito menos que isso, ou seja 4 a 5 horas. E tudo isso é uma mais-valia da política do Governo em exclusivo benefício das populações”, disse o responsável.

“A reabilitação vem numa boa altura”

Fernando Paquete fez muitos quilómetros ao volante de uma “Bedford” com quase trinta e um anos. Finalmente diz que já se sente satisfeito com o trabalho agora efectuado na via. Com um pé fora e outro dentro do carro, o comerciante do Namibe, que conta actualmente com 61 anos, reconhece mesmo que ninguém estaria à altura de fazer o que o Governo conseguiu concretizar em apenas seis anos de paz. Fernando Paquete, agora reformado, fez da via o seu ganha-pão.

Outro motorista, Gerónimo Manuel, corrobora da opinião do primeiro. Aponta as melhorias substanciais, no domínio da reabilitação das estradas, nestes seis anos de paz, e diz mesmo que além de melhorar o tráfego rodoviário, com a economia de tempo, as viaturas são poupadas de se danificarem mais rapidamente.

Alguns jovens que trabalham no projecto congratulam-se com estas “importantes acções” do Governo, que estão a garantir-lhes o emprego para o sustento das famílias. Como explicou o arquitecto Carlos Sá, além desta via, a SEOP vai reabilitar o troço rodoviário Lucira/Benguela e a estrada Namibe/Tômbwa, tendo sido já feito o respectivo levantamento, o qual só está a depender das negociações com o INEA para que as obras tenham o seu início.

Mas referiu que “a partir de Benguela será uma outra consignação que envolverá os dois governos provinciais, para ligar Lucira ao Dombe Grande. De resto, as obras seguem a bom ritmo, idem a fiscalização e o empreiteiro, que procura cumprir os prazos. Não há problemas”, frisou o director das Obras Públicas. O troço Namibe até Lucira é a mais importante via de ligação da província com a capital do país, por onde passam várias mercadorias de um lado para outro. “Com Angola em paz, a reabilitação dessa estrada vem mesmo numa boa altura, pois precisamos de nos movimentar para qualquer lado”, disse-nos um conhecido empresário do Namibe, visivelmente satisfeito com as obras em curso na rodovia.

Lucira muda de fisionomia

Actualmente, a população da comuna da Lucira ronda os 10 mil habitantes, metade dos quais chegou para trabalhar na indústria pesqueira. A fisionomia da região alterou-se, com este aumento populacional. Como acentuou o administrador comunal, David Frederico Clemente, toda esta gente é bem tratada, no quadro dos programas de investimentos públicos e de aumento da oferta e melhoria dos serviços sociais básicos às populações.

As melhorias substanciais, em todos os domínios, nestes seis anos de paz, são enumeradas em toda a parte. Ao nível da saúde, temos postos médicos, um centro de saúde; idem ao nível da educação. E assim por diante: comunicações, serviços, energia e água, saneamento básico, chegando-se à conclusão final: Lucira está a crescer.

O problema habitacional para os quadros é outro dos progressos que nos aponta o administrador da Lucira: aqui, fruto da boa governação do Executivo da província, a localidade tem conhecido melhorias substanciais no domínio dos investimentos públicos e mais realizações estão em curso para a acomodação dos quadros fixados no interior da província.

De resto, isso mesmo pode aperceber-se das palavras do governador da Huíla, Ramos da Cruz, por sinal filho do Namibe, que muito recentemente lá esteve em visita privada. O soba Frederico Futinha também manifestou-se exultante com os progressos que se registam na sua área de jurisdição. Ele sublinhou que muita coisa mudou, sobretudo nos domínios da saúde, educação e habitação. Assegurou que os quadros, sobretudo professores e enfermeiros, já não se podem queixar da falta de condições de acomodação para o bom desempenho da sua actividade, “porque têm residências próprias”.

Na região existem muitas obras já construídas e inauguradas recentemente. No novo mercado municipal, o movimento dos vendedores que têm aí as suas bancas não pára, apesar de faltarem fregueses.

Além disso, o porto pesqueiro da Lucira está a fornecer pescado para o mercado de todo o país.

O funcionamento das lanchonetes, restaurantes e lojas também não pára. Assim se constrói o progresso nestas paragens à entrada de Benguela.

Lucira é uma das regiões mais ricas em pescado e marisco da costa angolana, depois do Tômbwa e Baía dos Tigres.

O governo pretende dar seguimento a um projecto de transformação deste “monstro adormecido” para a necessidade que se impõe dele funcionar em pleno para bem da região, e não só.

Boavida Neto, chefe do Executivo do Namibe, disse à imprensa, na Lucira, aquilo que o Governo central, através do Ministério das Pescas, já tem traçado como políticas para os próximos tempos, ao nível do sector.

Foi-nos comunicado, verbalmente, que estas políticas estão contidas no programa de governação para os próximos quatro anos, nomeadamente o desenvolvimento da produção com base no princípio da gestão racional dos recursos pesqueiros, dentro dos limites de sustentabilidade biológica, bem como continuar o fomento e apoio ao desenvolvimento da pesca artesanal, marítima e continental e o desenvolvimento turístico da região.


Sep 15
Fonte: Jornal de Angola

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